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LeisBásico

Quem pode propor uma lei

Deputados, senadores, o Presidente, tribunais superiores e até cidadãos comuns podem dar início a uma lei.

Antes deste artigo

O primeiro passo de toda lei

Antes de qualquer votação, alguém precisa apresentar o projeto. Esse direito de dar início a uma lei se chama iniciativa legislativa, e a Constituição diz exatamente quem pode exercê-lo. Não é só deputado ou senador — a lista é mais ampla do que a maioria das pessoas imagina.

Quem tem iniciativa

No nível federal, podem apresentar um projeto de lei: qualquer deputado ou senador, o Presidente da República, o Supremo Tribunal Federal e os tribunais superiores, o Procurador-Geral da República, e cidadãos, por meio de iniciativa popular.

Cada um desses atores propõe leis sobre temas diferentes:

  • Deputados e senadores — podem propor sobre praticamente qualquer assunto, individualmente ou em grupo
  • Presidente da República — além de poder propor sobre qualquer tema, tem iniciativa exclusiva em alguns: criação de cargos públicos federais, aumento de salário de servidor federal, organização da administração pública, entre outros
  • STF e tribunais superiores — propõem leis sobre a própria organização judiciária (criação de varas, por exemplo)
  • Procurador-Geral da República — propõe leis sobre a organização do Ministério Público
  • Cidadãos — por iniciativa popular, com um número mínimo de assinaturas

Iniciativa exclusiva: o que só o Presidente pode propor

Existe uma categoria especial chamada iniciativa privativa (ou exclusiva). São temas que só podem ser propostos por um ator específico — geralmente o Presidente. Um deputado não pode, por exemplo, apresentar um projeto de lei aumentando o salário de servidores do Executivo federal: essa proposta só pode partir do próprio Presidente.

Isso existe para evitar que o Legislativo crie despesas ou cargos no Executivo sem que o próprio Executivo tenha pedido — uma forma de organizar responsabilidades entre os poderes.

Iniciativa popular: quando o povo propõe direto

Para propor uma lei federal por iniciativa popular, é preciso a assinatura de pelo menos 1% do eleitorado nacional, distribuído por, no mínimo, 5 estados, com não menos de 0,3% dos eleitores em cada um deles.

Isso significa juntar mais de 1 milhão de assinaturas verificadas — um processo trabalhoso, mas que já funcionou na prática. O exemplo mais conhecido é a Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar nº 135/2010), que impede candidaturas de políticos condenados por decisão colegiada. O projeto foi organizado por entidades da sociedade civil e reuniu cerca de 1,6 milhão de assinaturas entregues ao Congresso em 2009. Foi aprovado por unanimidade nas duas casas e sancionado sem veto em 2010.

Na prática, projetos de iniciativa popular costumam entrar no Congresso "emprestados" por um parlamentar, que assina formalmente a proposta — mas a autoria e a mobilização continuam sendo da população.

Depois da proposta, o que acontece?

Apresentar o projeto é só o começo. A partir daí, ele entra na fila das comissões, pode ganhar ou perder urgência, e só vira lei se passar pelas duas casas do Congresso e pela sanção presidencial (ou promulgação, em caso de veto derrubado). Esse caminho — das comissões ao plenário — é o assunto do próximo artigo da trilha.

Muita gente acha que só quem tem mandato pode propor lei. Não é verdade: cidadãos comuns também podem, desde que organizem o número de assinaturas exigido. O direito existe desde a Constituição de 1988, mesmo sendo pouco usado na prática.

Resumindo

Quem propõe uma lei não é só o Congresso. Deputados, senadores, o Presidente, tribunais superiores, o Procurador-Geral e até cidadãos organizados podem dar o pontapé inicial. O que muda entre eles é o tema que cada um pode propor — e alguns assuntos são de iniciativa exclusiva do Presidente.